Artigos e Estudos

Por que a Cruz? – John Stott

Um emblema cristão universalmente aceito teria, obviamente, de falar de Jesus Cristo, mas as possibilidades eram enormes. Os cristãos podiam ter escolhido a manjedoura em que o menino Jesus foi colocado, ou a banca de carpinteiro em que ele trabalhou em sua juventude em Nazaré, dignificando o trabalho manual, ou o barco do qual ele ensinava as multidões na Galileia, ou a toalha que ele usou ao lavar os pés dos apóstolos, a qual teria evidenciado o seu espírito de humilde serviço.
Também havia a pedra que, tendo sido removida da entrada do túmulo de José, teria proclamado a ressurreição. Outras possibilidades seriam o trono, símbolo de soberania divina, o qual João, em sua visão, viu que Jesus partilhava, ou a pomba, símbolo do Espírito Santo enviado do céu no dia de Pentecoste. Qualquer desses sete símbolos teria sido apropriado para indicar um aspecto do ministério do Senhor.
Contudo, ao contrário, o símbolo escolhido foi uma simples cruz. Seus dois braços já simbolizavam, desde a remota antiguidade, os eixos entre o céu e a terra. Mas a escolha dos cristãos possuía uma explicação mais específica. Desejavam comemorar, como centro da compreensão que tinham de Jesus, não o seu nascimento nem a sua juventude, nem o seu ensino nem o seu serviço, nem a sua ressurreição nem o seu Reino, nem a sua dádiva do Espírito, mas a sua morte, a sua crucificação.

SECULARIZAÇÃO do Mundo Complexo e O EVANGELHO

 

Vivemos num mundo secularizado. A religião ocupa um espaço cada vez mais reduzido, especialmente no Primeiro Mundo. Significa que o ocidente experimenta a realidade de governo, leis, educação, mídia que excluem Deus da vida.

A exclusão da religião da cultura, das artes e a formação secularizada do homem moderno é uma realidade que se confirma constantemente. Desde a renascença, paulatinamente Deus foi banido da civilização ocidental e substituido pelo humanismo. A maioria continua afirmando que acredita em Deus, porém, a importância da “fé” no dia a dia é irrelevante. O temor de Deus desaparece. O otimismo da fé na capacidade do homem resolver seus problemas e alcançar seus objetivos utópicos ocupa o lugar de fé num futuro melhor após a morte. Quem precisa de Deus, se a ciencia e o progresso tem as ferramentas para dominar a natureza e a razão humana tem a inteligência suficiente para encarar todos os desafios.

“O Deus desta era cegou o entendimento dos descrentes para que não vejam a luz do evangelho da glória de Cristo” (2 Co 4.4NVI). Paulo escreveu estas palavras num contexto duma sociedade imersa na idolatria e magia. Após a conquista do Império Romano pelo cristianismo, este dominou todas as facetas da vida. O cristianismo tomou o lugar do paganismo. A penetração do cristianismo institucionalizado com o papa no pináculo do poder, sujeitou a cultura europeia à força da religião até a renascença. A reação do iluminismo começou a desmoronar o domínio da religião cristã no centro da vida. Filosofias humanistas questionaram as certezas afirmadas pela Igreja durante séculos. A ciencia começou a ganhar espaço com descobertas deslumbrantes. Um novo paradigma garantiu que não era o planeta terra, mas o sol, que estava no centro do sistema solar. O telescópio demonstrou que o universo era imenso, milhões de vezes maior do que se imaginava.. A tentativa da Igreja combater estas novas descobertas trouxe descrédito sobre o cristianismo.

Mais recentemente a teoria de evolucão foi aceita como uma alternativa viável em lugar da descrição bíblica do origem do universo e do homem. A nova mentalidade, de acordo com G.K. Chesterton, foi de um deus que escreveu a peça de teatro e a entregou ao ator humano que não lembrava mais do autor e nem do propósito de montar a peça. Os livres pensadores creram que o progresso depende da inteligência e criatividade do homem e não da revelação de um deus que, se existe, não influencia os acontencimentos naturais. Nietzsche ousadamente declarou que Deus morreu. Marx acreditava que as forças determinantes econômicas produziriam uma sociedade harmoniosa. Os que produzem segundo suas habilidades supririam as necessidades de todos.

Um desencantamento tem ameaçado a utopia dos filósofos e sociólogos. Os avanços científicos tem acarretado com alguns elementos negativos. A rápida destruição da natureza, a poluição, o aquecimento da camada de ar e o aumento do burraco de ozone, provocados pelas emissões de gases, tem sido desalentador. Doenças novas como AIDS e SARS tem sido inimigos da humanidade difíceis de combater eficazmente. A violência no mundo, as guerras, a incapacidade das autoridades controlar as drogas e o terrorismo, todos são sintomas de um mundo que perde a esperança de encontrar soluções humanistas definitivas para todos os problemas que afligem a humanidade.

O cristão encara este quadro desalentador com uma avaliação bíblica. “Todos pecaram e estão destituidos da glória de Deus”. A corrupção do coração do homem leva à conclusão que a humanidade nunca alcançará a perfeição do Paraíso sem a intervenção do Criador. A exclusão de Deus pela mídia e a política escolar, é simplesmente uma reação do coração soberbo que pensa que tudo pode por conta própria.

A declaração da Bíblia que o Cristo ressurreto e entronizado reinará até que ele ponha todos os inimigos debaixo dos seus pés é a alternativa cristã. O último inimigo a ser vencido pelo Senhor é a morte. Não adianta sonhar com um salto da humanidade até o Paraíso sem que primeiro o pecado seja vencido pela nova criação e o juizo final. Maranatha (Vem, Senhor).
O Evangelho

A. Rm 1.18 – A ira de Deus se manifesta contra toda impiedade
e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça.
B. O amor de Deus tem de seguir a compreensão do
profundidade da rebelião e pecado do homem. Rm 3. 10 “Como está escrito não há justo, nem um sequer”. Porque todos pecaram e carecem da glória de Deus. Rm 3.23
C. Em Rm 1 percebemos a gravidade do pecado dos homens reside no fato que pecadores tendo conhecimento de Deus, mas não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes, se tornaram nulos em seus próprios racioncínios obscurecendo-se-lhes o coração insensato. Trocaram a glória de Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível”.
D. Rm 5.12 ensina claramente que o pecado de Adão também foi o pecado de todos os seus descendentes. Para de se livrar desse pecado original que contamina a natureza profundamente é necessário que o Segundo Adão se encarne, cumpre toda a justiça (Mt 3.15), e providencie redenção por meio de Jesus Cristo (Rm 3.24). Deus propôs a Cristo no seu sangue como propiciação para que mediante a fé manifeste sua justiça substitutiva. “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que , nele, fôssemos feitos justiça de Deus” (2 Co 5.21).
E. No mundo contemporâneo pecado não passa de um erro, e isso somente quando prejudica os outros. A defesa do homem secularizado é que não sou ruim. Não cometi nenhum crime. Sou bem intencionado de modo se houver um juizo no futuro certamente Deus me aceitará tal com sou.
F. O mundo complexo não acredita no inferno e nem no juizo de Deus.que condenará todos que náo são justificados pela morte de Cristo, aceita pela fé.
O Papa João Paulo II declarou que o inferno é a vida que nós criamos para nos mesmos. Os sofrimentos de sta vida com tantos problemas e dificuldades é suficiente inferno.
G. O mundo complexo moderno, se crer que existe uma vida
após a morte, não está esperando o juízo de Deus.
No curso (Cristianismo Investigado) preparado para evangelizar o homem moderno inglês, a equipe de J. Stott, apresenta como nós devemos fazer a nossa parte segundo 2 Co 4.1-6.
Enquanto o mundo capitalista que depende de marketing e engano.

O evangelho tem de ser apresentada como ele é, verdade como Deus é verdade. Jo 14.6 e Deus não pode mentir.
1. Não age sem integridade – “NÃO ANDANDO COM ASTÚCIA”, v. 2 falamos a verdade com sinceridade genuina.
2. Age com fidelidade – não distorcemos a Palavra de Deus” – temos obrigação de falar toda a verdade, inclusive as partes duras.- pecado, inferno, juízo, arrependimento.
3. Explica com inteligência e compreensão – “pela manifestação da verdade’ (v. 2b) apresenta a verdade de maneira clara.
4. Manifesta humildade – não pregamos a nós mesmos, mas a Jesus Cristo como Senhor. 4.5

Faz parte da complexidade do mundo pecaminoso em que vivemos que os homens acham mais legal produzir sua própria justiça do que humildemente, pela fé depender unicamente da justiça de Cristo oferecida de graça para nós.

A Estabilidade da Família

(Pr. Walter Bastos)

O que é que caracteriza uma família  abençoada? É a estabilidade material ou financeira? Absolutamente não!  Pois o segredo de um lar feliz é descrito por Paulo nos seguintes  termos: “e, assim, habite Cristo no vosso coração, pela fé, estando vós  arraigados e alicerçados em amor” (Ef 3.17). Deus precisa estar  entronizado em cada lar, e o relacionamento familiar precisa ser  baseado, alicerçado no amor verdadeiro.

Quando é que Deus habita ou reina em nosso lar? Jesus Cristo responde  a essa pergunta por meio da figura do homem prudente descrito na  parábola do dois fundamentos. Quem não almeja uma família feliz? Todo  casal que planeja seu casamento quase nunca se previne das coisas ruis!  Entretanto elas vêm “mesmo sem serem chamadas”, e em não poucos casos,  causam grande destruição. Como se prevenir delas? De que maneira podemos  ter uma família estável, segura e feliz? A família que está enraizada  em Cristo nunca será abalada!

O homem prudente edificou sua casa sobre a rocha;

Ser “prudente” (grego “phrónimos”) é o mesmo que ser sábio na  pratica, compreensivo, sensato, que pondera suas palavras e atos. Não  faz nada as pressas ou sem refletir. Se vai casar, comprar, conceber  filhos, antes de tudo ora e planeja. Só constrói em lugar seguro,  debaixo de convicção do Espírito Santo (Rm 14.17).

Ouvir ou aprender os ensinos de Cristo somente tem valor, quando  praticados. Pela experiência do novo nascimento (o alicerce para a  eternidade – 1Co 3.11) o crente é capaz de praticar a doutrina cristã.  Cristo é a “rocha” e sobre ele construímos – pelos tijolos das orações  respondidas, novas revelações etc – nosso lar.

Edificar é o mesmo que construir. O termo “casa” que é sinônimo de  “vida”, também é uma forma alargada para família. Nosso lar precisa ser  bem fundamentado, alicerçado, arraigado ou enraizado em Deus para  resistir as inevitáveis “tempestades da vida”, que inundam por “baixo”,  sopram dos “lados” e chove por “cima”, menos por “dentro” onde Cristo  está entronizado. Em outras palavras, ataques externos jamais poderão  destruir a vida ou o lar daqueles que estão em Cristo (Jo 6.37).

Construir uma família estável é trabalhoso, demanda tempo, esforço e  principalmente muita graça de Deus. Lucas declara que é preciso “cavar  fundo”, romper paradigmas (Gn 25.28), pecados e maldições (Ap 2.5).
O salmista afirma que a casa forte ou firme, é construída pelo próprio  Deus (Sl 127.1), que começa por um bom casamento (1Co 7.39); sobre Adão  está escrito que após a “clonagem” de Eva, Deus “… lha trouxe” (Gn  2.22). O Senhor tem uma Rebeca e um Isaque para cada um de seus filhos e  filhas respectivamente.

O homem insensato edificou sua casa sobre a areia;

A palavra insensato no grego é “morós”, que significa: tolo,  estúpido; aquele que reproduz atos irrefletidos e insensatos oriundos de  “pensamentos que sobem ao coração provenientes de uma falta de  conhecimento ou da incapacidade de fazer decisões corretas” (Rienecker e  Rogers, p. 16: 1995). O termo também significa: “que ou aquele que não  pensa para fazer as coisas” (Dicionário Sacconi). A principal  característica do insensato está no fato dele se apegar ao que é  aparente.

Tolo, portanto, é aquele que edifica sobre “areia”, ou constrói sua  família sobre ideais, esperanças e prazeres temporais e ou sobre  filosofias mundanas, ou seja, em cima do nada. O pior é que ele somente  descobrirá isso quando for tarde demais.

Um exemplo clássico de tolice: o Rei Davi permaneceu em Jerusalém,  durante a guerra de Israel contra os filhos de Amom (2Sm 11.1-5), quando  deveria estar com seu exercito na frente de batalha. Sua ociosidade,  autoconfiança (não vigiou) e falta de contentamento o levou a cometer um  duplo pecado: adultério e homicídio. Ele conhecia a exigência da Lei:  “Tampouco para si multiplicará mulheres” (Dt 17.17); mas a ignorou. Na  origem do casamento nunca houve qualquer idéia de poligamia (ou  poliginia – Mt 19.4-6).
A insensatez pode vir pela maneira de conduzir as coisas dentro do lar.  Grandes homens de Deus fracassaram na educação de seus filhos: Arão (os  irreverentes Nadabe e Abiú – Lv 10.1-5); os filhos do sacerdote Eli são  chamados de “filhos de Belial” (1Sm 2.12). Cerca de 30% dos presos da  extinta “Carandiru” eram filhos de crentes, e quase a metade desses eram  filhos de pastor.

Revendo nossa construção e consagrando a família a Deus.

A tolerância e misericórdia de Deus é a causa de não sermos  destruídos (Sl 103.8-11), em razão disso, Ele nos dá mais tempo –  segurando as tempestades – para que coloquemos em ordem ou para que  façamos uma revisão em tudo que fazemos ou que permitimos que se faça de  errado dentro de nossas casas.

O rei Ezequias ouviu do profeta Isaías o seguinte: “… Põe em ordem a  tua casa, porque morrerás e não viverás” (Is 38.1). A “tempestade da  enfermidade” se abateu sobre o rei e só não ceifou sua vida porque ele  orou com profunda humildade. O que estava em desordem na casa ou na  família de Ezequias? Seu filho Manassés foi o pior e o mais abominável  rei de Judá (2Rs 21.1-18). Se Ezequias tivesse morrido não teria gerado  esse déspota.

Davi pecou, mas não reconheceu – racionalizou sua ação (justificou-a  com palavras e ações sem fundamento). Só houve verdadeiro arrependimento  quando já era tarde demais (2Sm 12.7-14), o juízo já estava a caminho. A  família de Davi sofreu demorada tempestade: incesto entre Amnon e Tamar  (2Sm 13.14); homicídio entre irmãos (2Sm 13.28); Absalão um dos seus  filhos comete incesto com as concubinas de Davi (2Sm 16.22) etc. Davi  construiu um grande reino, mas teve uma péssima família, por que foi um  pai ausente e passivo.

Porque Deus não ouve a oração de muitos homens? Eles pedem, buscam,  imploram, mas não recebem nada. A resposta pode estar dentro de suas  casas, na intimidade conjugal, na forma desumana, carnal, e inapropriada  de tratarem suas esposas (1Pe 3.7).

Deus quer reconstruir famílias, casamentos, dar filhos abençoados  (2Sm 12.24), mas o seu perdão não nos livra de prováveis conseqüências.

A família sem alicerce está “solta”, instável, à mercê dos “ventos,  chuvas e transbordamentos” que virão com “ímpeto” e sem piedade, na  forma de adversidade e problemas. Sem estabilidade, sem um lugar firme e  inabalável o casamento rui na menor das desavenças. O mundo está cheio  de incertezas; as pessoas vivem amedrontadas o tempo todo, e é verdade  que estamos vivendo na “era do medo”. Todavia, o lar que está alicerçado  em Cristo – pela obediência inegociável da sua Palavra – não tem razões  para pânico, pois como diz o salmista: “… Podemos passar por momentos  difíceis, de grande tristeza, mas Ele logo nos devolve a alegria” (Sl  30.5 – BV).

Pr. Walter Bastos
prwalterbastos@hotmail.com

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